O brasileiro nunca antes conseguiu se planejar financeiramente. A sensação é que ele estava em uma jangada (estilo aquela feita por Tom Hanks no filme "Náufrago") que simplesmente acompanhava as ondulações que o oceano o impunha. Se vinha uma onda pequena, a jangada dava uma mexidinha, se vinha uma enorme, ele se afogava. E a simples ideia de quem sabe talvez ver uma pontinha de algum pedaço de terra (qualquer pedaço de terra, uma ilha, um país, um continente...) era uma ilusão transcedental, algo inatingível.
Oras, com esta (falta de) perspectiva sem rumo e sem direção - além de não saber até onde iria sobreviver - é de se entender que o que o brasileiro ganhava ele usava, para não correr o risco de perdê-lo sem usar.
Porém "após as trevas fez-se a luz" e, parece que os governantes começaram a aplicar um conceito básico de economia: gastar menos do que arrecadar. Este grande marco teve início no governo FHC e (devido à rainha da iluminosidade nos conceder sua graça) vem se mantendo tal aplicabilidade nos últimos quase 20 anos. Esse é o marco da evolução e é isso que faz com que nós brasileiros possamos começar a pensar em um futuro financeiro saudável.
Como nós paramos de tomar sustos nesta área, conseguimos agora pensar e calcular o tempo para certo investimento e o tempo de obter o retorno. Basicamente temos em nossas mãos a capacidade de sabermos quanto temos que investir por mês, por quanto tempo devemos investir para enxergarmos quando iremos iniciar os resgates, quais os valores de resgate e quanto tempo durarão estes resgates.
Ainda assim, este histórico está um pouco impregnado em nossas mentes e ainda somos avessos à palavra "Risco", que nos remete à coisas ruins, estresses e quebradeiras generalizadas.
Porém, o risco é bom!! É ele que nos ajuda a acelerar o processo de ganhos, é ele que nos faz acordar da paralisia mental e coloca nossos neurônios para funcionarem, pensando o que pode ou não ser feito e avaliando se o ganho de cada investimento compensa pelo risco que é envolvido em cada operação.
A partir do momento que ele é controlado (que colocamos esta coisa que chamamos de massa encefálica para funcionar), o mesmo torna-se saudável e, assim, conseguimos iniciar os conceitos de Risco x Retorno:
O simples fato de "passar o tempo" já é um risco que corremos, ainda mais atualmente onde a poupança não é mais fixa e acaba acompanhando a variação da taxa de juros (comento isso pois há possibilidades da poupança render menos que a inflação, com isso compensa gastar o dinheiro do que guardá-lo).
O prêmio que recebemos por cada investimento depende do tempo que ele ficará alocado e da remuneração que ele nos trará (lembram-se da Fórmula da Riqueza?). Pois bem, quanto maior for a taxa de juros que nosso dinheiro estiver recebendo e quanto mais tempo ficar lá, maior será o rendimento.
Porém, desconfie sempre! A partir do momento que almejamos uma remuneração maior, devemos ter ciência que "nada é de graça" e que com certeza absoluta há um risco maior embutido em tal operação. O que diferencia um investidor de sucesso de um investidor mediano é que ele encontra uma relação Risco x Retorno satisfatória e consegue "dormir a noite", pois sabe que o risco que seus investimentos estão correndo é controlado.
PS: As possibilidades do retorno devem SEMPRE serem maiores do que as possibilidades de perda!!!
Quando vierem com conversinha de que há um investimento garantido - nada nesta vida é garantido, só a morte! - com um risco zero ou minúsculo, DESCONFIE!
"Ah, mas fulano entrou no negócio e está ganhando R$ 20.000 por mês." - Acredite em mim, o risco que o fulano deve estar correndo provavelmente é enorme e ele não tem a mínima noção disso!
Eike Batista está aí para não me deixar mentir, rs.
Podemos escrever a seguinte relação então:
A Remuneração de Capital pelo Tempo será sempre menor do que a Remuneração de Capital pelo Risco e Quanto maior a Remuneração, Maior o Risco!



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