terça-feira, 27 de agosto de 2013

Eike Batista – Entendendo a Cadeia de Empresas

Com a MMX, empresa de mineração, Eike conseguiu se firmar no cenário brasileiro como um grande empresário de sucesso. Sempre fazendo negócios – comprando uma empresa aqui, vendendo uma fatia de outra ali, investindo em máquinas – ele adquiriu o patamar de Rei Midas. Tudo que ele tocava virava ouro, literalmente. Cada nova investida rendia ótimos frutos aumentando ainda mais sua já gorda riqueza (e seu já mega status).

Em 2007 vendeu uma fatia da MMX para a Anglo American - um conglomerado mundial monstruoso nesta área de atuação – pela bagatela de U$ 5,5 Bilhões! Neste momento ele se tornou o homem mais rico do Brasil!


Em 2008 abriu o capital da recém criada OGX – empresa petrolífera que tinha o objetivo de fazer frente à Petrobrás – no mercado acionário e arrecadou mais R$ 6 Bilhões!



Nesta altura ele possuía uma fortuna avaliada em mais de R$ 15 Bilhões! E não parou por aí, ele tentou verticalizar todo o processo que sua já atuante MMX fazia, e que a OGX viria a fazer, controlando desde o maquinário utilizado para as respectivas extrações até a energia necessária para extraí-los.

Vamos devagar e com desenhos para entender toda a engenhoca...

A MMX precisa de um porto para escoar a produção, por isso Eike cria a LLX (empresa de logística com o objetivo de suprir esta parte do processo) onde ele estará pagando para ele mesmo por um serviço que ele é obrigado a contratar:




Mineradoras e portos precisam de energia e como o Eike já possuía a MPX (termelétrica), ficou claro o papel dela dentro do processo:




Para gerar energia na Termelétrica necessita-se comprar carvão e adivinhem só??? O Eike possuía a CCX, uma companhia de mineração de carvão que alimentaria a MPX:



Agora entramos com a OGX...
Eike resolveu ter sua petrolífera para brigar com a Petrobrás. Como terá as mesmas despesas de Logística e de Energia, coloca a LLX e a MPX na parada novamente. Não se percam! O Fluxo fica assim:




A OGX precisa de um fornecedor de equipamentos de perfuração e de plataformas marítimas, com isso Eike traz a OSX para cuidar desta parte do processo:




E onde instalar o Estaleiro da OSX???? Uma dica: precisamos de um porto....
 SIM!!!! Olhaí a LLX trabalhando de novo!!



PUTAQUEOPARIUQUESQUEMALINDODAPORRA!!!!!
Isso é que é visão! Isso é que é entender todo o processo! Isso é que é transformar custos em receita! Isso que é empresário, o resto é conversa!
Só faltou ele criar uma empresa que fabricasse e vendesse empregados para todas as outras. (rs)

O mercado comprou esta (puta) ideia da hora! E para cada empresa aberta na bolsa ele arrecadou bilhões de reais, o que o transformou no homem mais rico do Brasil (com uma larga distância para o 2º colocado) e o 8º mais rico do mundo possuindo uma fortuna avaliada em U$ 34 BILHÕES!!!!

Vamos raciocinar... o cara criou um ecossistema onde uma empresa fatura em cima dos custos da outra, fazendo com que o dinheiro não “escape” para fornecedores externos. Isso pois, ele conseguiu analisar todo o processo e trazê-lo para si, fazendo com que cada gasto gerado voltasse para o Conglomerado EBX por meio de outra empresa.

Uma ideia fantástica que comprou o coração dos ávidos investidores. Viram que ideia está em negrito? Porque quero ressaltar que os lucros só acontecem se a operação estiver trabalhando da maneira que foi prevista, gerando o faturamento que foi projetado.



Infelizmente quando foi colocado em prática, este esquema não funcionou (até o momento) pois as únicas empresas que captariam dinheiro de fora seriam a MMX e a OGX. As demais não tendo “vida própria” (seriam alimentadas por estes dois motores) já que viveriam de acordo com as necessidades dessas duas citadas.

Principais causas (dentre outras) da derrocada...
A China (maior importador de minérios do mundo) fechou as portas e parou de importar com tamanha avidez fazendo com que as vendas e o faturamento da MMX despencassem.
Com isso ela não teria necessidade de produzir tanto minério assim, por consequência não precisaria gastar com energia (já que a produção estaria parada) e nem precisaria pagar para alguém escoar sua produção. Então o sistema começa a falhar da seguinte maneira:


A LLX deixa de faturar com o escoamento da produção da MMX e a MPX deixa de faturar com o fornecimento de energia para a MMX. Porém a LLX ainda receberá pelo escoamento da produção da OGX e pelo aluguel da OSX. E a MPX receberá pela energia fornecida para a LLX e para a OGX.

Acontece que não havia tanto petróleo assim nos poços que a OGX veio arrematando nos leilões nos últimos anos, essa é uma informação que não agrada nem um pouco aos investidores....

Sem retirar a quantidade esperada de barris/dia, a OGX não precisará de logística para escoar sua produção, nem de energia para seu funcionamento e não terá dinheiro para pagar pelos equipamentos de perfuração adquiridos.

Com isso, os “faturamentos certos” de LLX e OSX vão para o vinagre pois eles viriam das despesas que a OGX teria com sua produção (que não existe):




Estão sentindo o drama? A ideia de faturar em cima dos custos da outra empresa, e manter este dinheiro dentro do conglomerado, é linda! Desde que as empresas por captar estes recursos realmente faturem! 

Acho que vocês já adivinharam né? Como a MPX não terá faturamento pois não fornecerá energia para MMX, OGX e LLX, ela não precisará do carvão da CCX, é aí que é batido o último prego do caixão:



Não queria um monte de “X”??? Então pronto, um montão!


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