quarta-feira, 12 de outubro de 2016

ESCÂNDALO NO COLES E NA TARGET


   Wesfarmers é a empresa-mãe que controla um gigante conglomerado aqui na Austrália como Coles, Target, Kmart, Bunnies e Coal (resources). Eles têm aparecido no noticiário com certa frequência devido aos escândalos que começaram a surgir envolvendo a alta direção de cada um destes segmentos, principalmente Coles e Target.

   

   A grande rede de supermercado Coles têm sido acusada de enganar e abusar de seus fornecedores. Após dois anos e meio de investigações a Australian Competition and Consumer Comission (ACCC) levantou a questão de que o Coles utilizou de sua posição no mercado para pressionar mais de 200 fornecedores a fornecer rebates em suas vendas e os usou para interesse próprio tentando passar uma imagem positiva ao mercado.

   Foram feitos rebates nos preços dos produtos, que aqui no caso do Coles funciona como um pretexto para que o fornecedor arque com os desperdícios dos produtos vencidos e roubados dentro de suas lojas. Ou seja, o Coles aperta o fornecedor para que ele pague a conta dos custos sobre sua responsabilidade.

   Também é alegado que o Coles cobrava multas pesadas em função de atrasos na entrega de mercadorias descontando tais valores nas faturas que ele pagava, sem dar explicação alguma ao fornecedor sobre o por que estar pagando a conta a menor.

   O fornecedor é normalmente menor do que o Coles e, sendo a base fraca da relação, acabava se submetendo e se calando com tais abusos para que não perdesse o cliente, que afinal de contas compraria dele todo o mês em quantidades gigantescas.

   O presidente da ACCC, Rod Sims, disse que "este tratamento aos pequenos fornecedores causará grandes estragos no mercado...  ... nós acreditamos que o Coles, durante as negociações, usou de sua posição para pressionar de forma imprópria (os fornecedores) e usou de estratégias de mercado injustas, que levou os fornecedores a receberem informações confusas e a aceitar a imposição de barganha imposta pelo Coles. Se a corte aceitar nosso pedido de processo, esperamos que a opinião pública esteja ao nosso lado, pois não podemos aceitar este tipo de negócios no mercado da Austrália".

   Este rolo todo ocorreu em 2011, mas a conta a ser paga veio agora. O Coles terá de arcar com 10 milhões de dólares como multa e mais 1,2 milhão de dólares em custos legais. O impacto destes valores no resultado da Wesfarmers agora em 2016 é assombroso e os acionistas estão preocupadíssimos.

   Mas nada comparado à Target...



   A Target é uma daquelas lojas que vendem de tudo, desde roupas e brinquedos à aparelhos eletrônicos, DVDs, CDs, vídeo-games, artigos para casa, etc. Ela me lembra muito o estilo de atuação das Lojas Americanas lá no Brasil.

   Laura Inman deixou a diretoria da Target no ano de 2011. Muitos creditam à ela o crescimento expressivo que a marca teve ao longo dos anos anteriores, tal fato é corroborado pelos números que a cadeia de lojas alcançou neste seu último ano de atuação à frente da divisão: Receita de 3.6 Bilhões de dólares e Lucro Operacional de 280 Milhões.

   Os planejamentos deixados por ela diziam que a divisão deveria focar na venda online e em manter os estoques baixos para que os clientes sempre pudessem comprar produtos novos.

   No período seguinte de 2012 a 2015 houve dois diretores à frente da Target tentando segurar os lucros e vendas, que despencaram estrondosamente dos 280 milhões feitos por Laura à incríveis 84 e 90 milhões em 2014 e 2015, respectivamente.

   Com as margens despencando os acionistas passaram a pressionar a empresa por melhores resultados. Os diretores em contrapartida possuem seus bônus atrelados à performance de sua divisão, mais especificamente quanto ela gerou de receita e lucro para a empresa.

   Sendo pressionado por acionistas, por seus superiores e por seu bolso, mais de 50 funcionários, incluindo o diretor da divisão Stuart Machin, começaram a tomar medidas de "cunho duvidoso" por assim dizer.

   Os estoques aumentaram exponencialmente ao longo destes anos e não foram baixados no balanço anual da empresa. Ou seja, um produto antigo que já perdeu aquele possível valor de mercado - e que não vale mais nada e deveria ser colocado com a etiqueta de "clearance" para limpar o estoque - era mantido no balanço como um ativo que geraria uma renda no curto prazo. É o mesmo que dizer que uma despesa virou uma receita.

   Não bastando esta "manobra contábil" eles cobraram rebates dos fornecedores neste 1º semestre de 2016 com a promessa de compra no 2º semestre de 2016 dos produtos a preços exorbitantes. Com isso a divisão conseguiria manter seu lucro no período e empurrar a bomba para frente no próximo ano fiscal (ao qual o atual diretor Stuar Machin não estaria presente, já que seu contrato venceria em Julho/2016).

   O problema destes rebates da Target é que ela exigiu dinheiro dos fornecedores com a promessa de devolução futura. Ou seja, ela atuou como se estivesse pegando empréstimos que seriam pagos posteriormente (manobra ilegal também),

   Não deu tempo do plano ser totalmente executado, pois a mídia jogou isso para a população ver e o diretor geral da Wesfarmers, Mr Goyder, afastou do cargo o Machin e iniciou uma investigação a fundo para desvendar tudo que estava sendo acobertado na Target.

   A grande dúvida do mercado é que o conglomerado da Wesfarmers fez no último ano (2015) um lucro de 2.4 bilhões de dólares e o que vem sendo ventilado é que, caso seja feita a baixa de todo este estoque da Target e o dinheiro devolvido aos fornecedores, este lucro baixaria para 400 milhões.

   Trocando em miúdos: a divisão estava, APARENTEMENTE, encobrindo um rombo de 2 FUCKING BILLION DOLLARS!!!

   A investigação está rolando ainda e o mercado está acompanhando de perto para ver o desenrolar de todo este problema. Resta à nós, reles mortais, esperar as cenas dos próximos capítulos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário