Jogos Olímpicos e todo mundo feliz com o que aconteceu. Além da abertura ter sido um extreme sucesso e aparentemente, após os descontentamentos iniciais com os dormitórios da vila olímpica, a estrutura ter sido satisfatória, tivemos recordes de conquistas de medalhas e agradáveis surpresas em alguns esportes.
13º colocado de um total de mais de duzentos! Uau, nada mal! 19 medalhas! Fiquei feliz com a posição do Brasil. Mas como estou aqui na Austrália, também acompanhei de perto os desempenhos dos atletas e vi que ela encerrou sua participação em 10º lugar com um total de 29 medalhas. Aí me gerou a duvida:
POR QUE DIABOS ESTE PAÍS QUE TEM 10% DA POPULAÇÃO DO BRASIL CONSEGUE OBTER UMA CLASSIFICAÇÃO MELHOR?
Eis que conversando comigo mesmo (sim, sou desses) pensei na possibilidade dos atletas daqui serem muito bons. Mas a probabilidade joga contrário, pois se temos 10x mais pessoas no Brasil, a lógica seria a de termos 10x mais atletas bons. E aparentemente parece que esta regra não se aplica.
Sorte? Não acredito em sorte. Acredito que construímos nossa sorte.
Se não é este ponto, qual seria? Eis que me lembrei do programa 'The Profit' que passa no Brasil com o nome de 'O sócio' apresentado por Marcus Lemonis. O programa consiste em ele (Marcus) analisar uma empresa que não está muito bem. Caso ele se interesse e veja potencial, ele faz uma proposta para o dono para virar sócio dela.
E o mais interessante é que ele e o dono estão tomando um café na padaria e ele diz: 'O seu negócio tem potencial e eu quero entrar para ajudar a reergue-lo e expandi-lo. Vou investir 1 milhão de dólares no negócio e ficar com 51%, você aceita?' E ai o dono tem que decidir ali na hora se quer ou não e ele sempre aceita (às vezes negociando um pouco) porque precisa de um up no negocio. 'Só que semana que vem eu mando em tudo, vou poder mexer e alterar qualquer coisa, ok?'
Aí ele entra na empresa parecendo um furacão. Muda nome de produto, embalagem, cor, rebaixa gerente que não faz nada, troca gente de função. E o dono de cabelo em pé vendo aquele carinha mexendo em todo o seu negócio de anos de construção. Começa o quebra-pau e o Marcus tem de lidar com tudo ao mesmo tempo.
O argumento do Marcus é de que ele acredita nos 3 Ps e que focando neles e erguendo aquele dos três que está menos desenvolvido, a companhia vai se fortalecer e crescer.
(assistam o programa, ele é interessantíssimo e o Marcus domina muito o Mercado de negócios, ele possui centenas de empresas nos mais diversos segmentos).
Mas afinal, o que são os três Ps? Eles são os pilares que, se analisarmos profundamente, estão presentes na maioria das grandes corporações mundiais, nas universidades mais reconhecidas, nos melhores países. Estou falando de PESSOAS, PROCESSOS E PRODUTOS.
Foi aí que me deu um estalo sobre a desigualdade de medalhas que nada mais é reflexo de como estes países atuam em qualquer área interna de seus domínios, e não somente nos esportes.
PESSOAS: O Brasil possui pessoas tão boas quanto em qualquer outro lugar do mundo. Não estou falando na questão de conhecimento e desempenho, este é o resultado do empenho, mas estou chamando a atenção para o comportamento intrínseco de cada pessoa nascida neste maravilhoso país. É aquela máxima de como que um trabalhador que enfrenta horas de trânsito em um ônibus lotado chega em casa sorrindo e satisfeito por mais um dia? Como ele consegue manter o otimismo sobre a vida, mesmo não enxergando muita luz no final do túnel? É esta pessoa guerreira, otimista e sonhadora que eu estou me referindo. Então não acredito que as pessoas dos outros países são melhores do que os brasileiros, pois temos uma força intrínseca muito alta, nosso grau de resiliência é altíssimo.
PRODUTO: Neste caso de Olimpíadas o produto final é a conquista da medalha em um esporte de alto rendimento. Ou seja, todos os países possuem o mesmo produto a ser trabalhado e explorado. Todos acabam se dedicando e trabalhando para o mesmo fim, a linha de chegada é a mesma para todos.
PROCESSOS: Eis que cheguei ao ponto onde vi a gritante diferença entre o Brasil e a Austrália. O processo de desenvolvimento que será feito junto às PESSOAS para se obter o PRODUTO é onde enxergamos que cada um pega caminhos opostos. Com muitos espaços verdes e um rio cortando o meio da cidade podemos ver que Western Australian, um local considerado remoto aqui no país, dá acesso à todos para terem contato com os mais diferentes estilos de esportes. Uma escola pública aqui por exemplo proporciona aulas de natação aos seus alunos e emite um certificado com o acompanhamento sobre o que cada um conseguiu desenvolver dentro da piscina, de acordo com a orientação do departamento de esportes e educação de WA.
Parando para pensar que em cada subúrbio há um Leisureplex com uma ótima estrutura proporcionando as mais variadas modalidades de esporte, acompanhado de uma biblioteca disponível para a população daquela região, e com preços muito mais acessíveis se comparados ao Brasil, consigo entender as classificações de ambos os países no quadro de medalhas.
"Mas você está sendo muito crítico, o Brasil ficou em 13º e a Austrália ficou em 10º. Não é uma diferença tão grande assim." podem me dizer. Eu considero que é uma diferença brutal sim, porque a Austrália com apenas 10% da população brasileira conseguiu 10 medalhas a mais. As conquistas dela são baseadas em planejamento e oportunidades dadas às mais variadas classes sociais (que não possuem tanta discrepância entre si), enquanto que o Brasil se apoia nos estrelismos individuais que nascem aqui e ali.
Exemplo disso foram as três medalhas conquistadas pelo canoísta Izaquias. Vibrei muito e adorei cada uma de suas conquistas, mas fala sério! Quantos locais de treino para este tipo de esporte possuímos no Brasil? Quantos atletas foram desenvolvidos neste esporte? Quantas pessoas tiveram algum tipo de acesso à este esporte em algum momento de suas vidas?
As medalhas dele nos dão um gostinho a mais porque não conseguimos nem mensurar os esforços que ele possuiu para chegar até ali. Não conseguimos imaginar o que ele abriu mão para conciliar treinos com o sustento do dia a dia. Então acredito sim que ele é um cara acima da média que conseguiu se encontrar em um esporte nada comum no Brasil.
E é esta a grande diferença entre os países na forma como eles lidam com todos os seus aspectos internos. Comparem mentalmente como funciona cada um dos pontos a seguir na Austrália e no Brasil: Infraestrutura / Segurança / Poder de Compra / Qualidade de Vida / Educação / Saúde / Oportunidades / Pagamento de Impostos / Benfeitorias em função dos Impostos Pagos.
Não estou dizendo que a Austrália dá de dez a zero em tudo, mas na comparação geral conseguimos afirmar que há um cenário muito mais favorável aqui do que aquele que possuíamos no Brasil.
Por que os Estados Unidos estão sempre na primeira colocação no quadro de medalhas? Sorte de estrelismos individuais ou planejamento, infraestrutura e oportunidades proporcionadas à todos os atletas?
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