quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Desabafo de Eike Batista - “O Brasil como prioridade: ontem, hoje e sempre”



Eike Batista publicou um desabafo-resposta a todo o mercado no dia 19/07 comentando sobre todo o turbilhão que suas vidas pessoal e empresarial vieram sofrendo ao longo destes últimos dias. Não adianta comprarmos a versão da mídia e não ouvirmos o outro lado da moeda. Por isso nada mais justo que, após publicar um post massacrando as empresas X, um post ouvindo o que Eike tem a dizer.


Ele iniciou seu empreendedorismo no início dos anos 80 no garimpo da Amazônia e passou por grandes maus bocados! (Imaginem o que é se aventurar na Amazônia? Agora imaginem isso há 30 anos). Começou sua carreira em regiões de fronteira com enormes dificuldades desde como transportar equipamentos por ambientes hostis até surtos de malária que o obrigaram a substituir equipes inteiras de uma hora para outra.

Ele possui então um histórico de se deparar com adversidades e ultrapassá-las com muito esforço e suor, levando-o à um outro patamar de crescimento constante. Dito isso chegamos à OGX: 

Eike se cercou de algumas das melhores cabeças do mercado para conduzir este ambicioso negócio; experientes e competentes ao longo de décadas de serviços prestados às outras enormes companhias, eram pessoas reconhecidamente capacitadas em suas respectivas áreas de atuação. As expectativas em torno da OGX eram altíssimas. Constantes auditorias feitas pelas maiores agências de avaliação de risco do mundo nunca disseram o contrário e seu pessoal técnico corroborava tais afirmações.

Por ser uma companhia de capital aberto, ele é obrigado a informar ao mercado sobre quaisquer tipos de informações relevantes que venham (ou possam a vir) impactar o futuro da empresa. Com isso ele divulgava nota positiva atrás de nota positiva, respaldado por estas “grandes empresas reconhecidas mundialmente”.
Eike recebeu ofertas monstruosas para vender a OGX e não o fez, muito pelo contrário: investiu mais de um bilhão de dólares do próprio bolso em seu grande sonho. 

Conforme regulamentação, ele poderia ainda proceder à venda programada de 100 milhões de dólares por semestre (acumulando 5 bilhões de dólares ao longo destes anos) mas não o fez. Mesmo se tivesse feito todas estas vendas (e enchido o bolso mais ainda) continuaria sendo o controlador da companhia.

Nenhum investidor perdeu tanto dinheiro quanto ele, ele é o maior interessado nesta empresa. Este é o sonho dele e ele resolveu correr os riscos, o que acaba deixando-o inconformado com a ideia de que ele induziu alguém a investir num negócio de alto risco. O mercado que o analisou e depositou um alto grau de confiança neste projeto devido à relação: vitorioso histórico de Eike unido + “bambambans do mercado petrolífero”.




Sempre mirando negócios de alto risco com possibilidades de retornos gigantescos, este é o lema que vem acompanhando Eike ao longo destes grandes anos vitoriosos. Ele sempre agiu assim e não mudou sua postura com a OGX. Mercado de petróleo = alto risco, possibilidades de ganho = altíssimas. O problema  é que os investidores olharam somente para as possibilidades (certezas) de ganho, não levando em conta os riscos envolvidos na atividade.

O grande arrependimento de Eike na história toda com a OGX é o de ter captado recursos através do mercado acionário. Se pudesse voltar no tempo, ele teria estruturado Private Equity (tipo de atividade financeira realizada por instituições que investem essencialmente em empresas que ainda não são listadas em bolsa de valores, com o objetivo de alavancar seu desenvolvimento). Com isso ele buscaria estruturar cada uma das empresas do conglomerado por pelo menos 10 anos, todas permanecendo com seus capitais fechados até o momento que ele sentisse que havia chegado o momento de entrar na bolsa.

Se uma cai....



Estas três acabaram "pagando o pato"em consequência da quebra de confiança que a OGX apresentou. Isso porque as mesmas não estão no mesmo patamar de início que a OGX, elas já encontram-se operantes com diversas possibilidades de Faturamento. O grosso viria da OGX? Sim, mas não quer dizer que as mesmas estejam condenadas.

Eike investiu pesadamente do próprio bolso em cada uma das companhias. Ele, mais do que ninguém, acreditou (e ainda acredita) neste sonho. Ele é parceiro do Brasil e prioriza o conceito de deixar um legado ao país investindo recursos próprios em ativos que contribuem para toda a sociedade, pagando até o último centavo de cada dívida contraída. 

Em sua concepção ele está contribuindo assim para um Brasil mais competitivo, estruturado logisticamente e capaz de proporcionar um futuro melhor à população.

Foi preciso somente uma “mancada” dele – a OGX – para que todo o grupo X perdesse toda a credibilidade, contaminando toxicamente as outras empresas saudáveis do conglomerado. Ele sempre buscou o melhor para todos da maneira mais íntegra possível.

Milhares de milhões de reais foram investidos por Eike nos últimos anos em áreas que deveriam ser de responsabilidade dos governos. Simplesmente porque ele é assim e acredita muito neste país.

Suas empresas estão sendo reestruturadas – principalmente OGX e OSX – para que possam a vir figurar como grandes competidores em cada mercado de atuação. Com seus 57 anos, afirma que está com muita energia e que sua carreira empresarial está longe de figurar o obituário.

Honrarei todos os meus compromissos. Não deixarei de pagar um único centavo de cada dívida que contraí.”

Para quem quiser conferir na íntegra o desabafo de Eike: http://oglobo.globo.com/economia/o-brasil-como-prioridade-ontem-hoje-sempre-9095456


Money For Investment
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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Eike Batista – Entendendo a Cadeia de Empresas

Com a MMX, empresa de mineração, Eike conseguiu se firmar no cenário brasileiro como um grande empresário de sucesso. Sempre fazendo negócios – comprando uma empresa aqui, vendendo uma fatia de outra ali, investindo em máquinas – ele adquiriu o patamar de Rei Midas. Tudo que ele tocava virava ouro, literalmente. Cada nova investida rendia ótimos frutos aumentando ainda mais sua já gorda riqueza (e seu já mega status).

Em 2007 vendeu uma fatia da MMX para a Anglo American - um conglomerado mundial monstruoso nesta área de atuação – pela bagatela de U$ 5,5 Bilhões! Neste momento ele se tornou o homem mais rico do Brasil!


Em 2008 abriu o capital da recém criada OGX – empresa petrolífera que tinha o objetivo de fazer frente à Petrobrás – no mercado acionário e arrecadou mais R$ 6 Bilhões!



Nesta altura ele possuía uma fortuna avaliada em mais de R$ 15 Bilhões! E não parou por aí, ele tentou verticalizar todo o processo que sua já atuante MMX fazia, e que a OGX viria a fazer, controlando desde o maquinário utilizado para as respectivas extrações até a energia necessária para extraí-los.

Vamos devagar e com desenhos para entender toda a engenhoca...

A MMX precisa de um porto para escoar a produção, por isso Eike cria a LLX (empresa de logística com o objetivo de suprir esta parte do processo) onde ele estará pagando para ele mesmo por um serviço que ele é obrigado a contratar:




Mineradoras e portos precisam de energia e como o Eike já possuía a MPX (termelétrica), ficou claro o papel dela dentro do processo:




Para gerar energia na Termelétrica necessita-se comprar carvão e adivinhem só??? O Eike possuía a CCX, uma companhia de mineração de carvão que alimentaria a MPX:



Agora entramos com a OGX...
Eike resolveu ter sua petrolífera para brigar com a Petrobrás. Como terá as mesmas despesas de Logística e de Energia, coloca a LLX e a MPX na parada novamente. Não se percam! O Fluxo fica assim:




A OGX precisa de um fornecedor de equipamentos de perfuração e de plataformas marítimas, com isso Eike traz a OSX para cuidar desta parte do processo:




E onde instalar o Estaleiro da OSX???? Uma dica: precisamos de um porto....
 SIM!!!! Olhaí a LLX trabalhando de novo!!



PUTAQUEOPARIUQUESQUEMALINDODAPORRA!!!!!
Isso é que é visão! Isso é que é entender todo o processo! Isso é que é transformar custos em receita! Isso que é empresário, o resto é conversa!
Só faltou ele criar uma empresa que fabricasse e vendesse empregados para todas as outras. (rs)

O mercado comprou esta (puta) ideia da hora! E para cada empresa aberta na bolsa ele arrecadou bilhões de reais, o que o transformou no homem mais rico do Brasil (com uma larga distância para o 2º colocado) e o 8º mais rico do mundo possuindo uma fortuna avaliada em U$ 34 BILHÕES!!!!

Vamos raciocinar... o cara criou um ecossistema onde uma empresa fatura em cima dos custos da outra, fazendo com que o dinheiro não “escape” para fornecedores externos. Isso pois, ele conseguiu analisar todo o processo e trazê-lo para si, fazendo com que cada gasto gerado voltasse para o Conglomerado EBX por meio de outra empresa.

Uma ideia fantástica que comprou o coração dos ávidos investidores. Viram que ideia está em negrito? Porque quero ressaltar que os lucros só acontecem se a operação estiver trabalhando da maneira que foi prevista, gerando o faturamento que foi projetado.



Infelizmente quando foi colocado em prática, este esquema não funcionou (até o momento) pois as únicas empresas que captariam dinheiro de fora seriam a MMX e a OGX. As demais não tendo “vida própria” (seriam alimentadas por estes dois motores) já que viveriam de acordo com as necessidades dessas duas citadas.

Principais causas (dentre outras) da derrocada...
A China (maior importador de minérios do mundo) fechou as portas e parou de importar com tamanha avidez fazendo com que as vendas e o faturamento da MMX despencassem.
Com isso ela não teria necessidade de produzir tanto minério assim, por consequência não precisaria gastar com energia (já que a produção estaria parada) e nem precisaria pagar para alguém escoar sua produção. Então o sistema começa a falhar da seguinte maneira:


A LLX deixa de faturar com o escoamento da produção da MMX e a MPX deixa de faturar com o fornecimento de energia para a MMX. Porém a LLX ainda receberá pelo escoamento da produção da OGX e pelo aluguel da OSX. E a MPX receberá pela energia fornecida para a LLX e para a OGX.

Acontece que não havia tanto petróleo assim nos poços que a OGX veio arrematando nos leilões nos últimos anos, essa é uma informação que não agrada nem um pouco aos investidores....

Sem retirar a quantidade esperada de barris/dia, a OGX não precisará de logística para escoar sua produção, nem de energia para seu funcionamento e não terá dinheiro para pagar pelos equipamentos de perfuração adquiridos.

Com isso, os “faturamentos certos” de LLX e OSX vão para o vinagre pois eles viriam das despesas que a OGX teria com sua produção (que não existe):




Estão sentindo o drama? A ideia de faturar em cima dos custos da outra empresa, e manter este dinheiro dentro do conglomerado, é linda! Desde que as empresas por captar estes recursos realmente faturem! 

Acho que vocês já adivinharam né? Como a MPX não terá faturamento pois não fornecerá energia para MMX, OGX e LLX, ela não precisará do carvão da CCX, é aí que é batido o último prego do caixão:



Não queria um monte de “X”??? Então pronto, um montão!