terça-feira, 13 de setembro de 2016

POR QUE EU REALMENTE DEIXEI O BRASIL




   Um tempo atrás compartilhei um post no grupo chamado "Como a classe média alta brasileira é escrava do 'alto padrão' dos supérfluos" e para minha surpresa ele teve uma repercussão enorme. Além das centenas de "likes" houve muitos comentários tanto positivos apoiando a ideia, quanto negativos achando um absurdo.

   O post falava sobre um casal em visita à filha que mora na Inglaterra e que ficaram surpreendidos ao colocarem na ponta do lápis os gastos que eles tiveram lá, pois verificaram que mesmo com a conversão de moedas o custo mensal deles no Brasil era muito superior. E o mais incrível é que eles fizeram muitas viagens Europa afora e desfrutaram da gastronomia de cada local.

   A filha então (autora do post) foi esclarecendo ponto a ponto o por que os pais conseguiram fazer mais coisas do que no Brasil e gastando menos. Os principais argumentos foram voltados à questão de levar uma vida mais simplista, sem exagerar nos luxos no seu dia a dia. Foram citadas algumas situações como "você lavar, secar e passar sua própria roupa", "não ficar trocando de carro (se você tiver um carro)", "possuir móveis simples em uma casa pequena" e por aí vai.

   No final do post ela diz que os pais remodelaram o estilo de vida deles no Brasil e que conseguiram baixar bastante os gastos que eles possuíam, verificando serem muito supérfluos para sua vida.

   Conversei em casa sobre o post com minha esposa (sobre a repercussão que estava tomando) e até ela me comentou algo do tipo "não sei porque você colocou que fugiu do Brasil por causa disso, a gente não tinha estes luxos lá". Foi então depois desta conversa e de ler todos os comentários que pensei em explicar melhor o que eu senti sobre o post.

   Minha família possuía uma vida confortável lá no Brasil. Ralamos muito tanto no trabalho quanto nos estudos para alcançar um conforto financeiro. Não tínhamos empregada em casa e nem carro luxuoso, mas conseguíamos pagar escolas aos nossos filhos - que aos nossos olhos eram boas - e manter um padrão de conforto como sair para comer algo fora no fim de semana e ter sempre uma cervejinha na geladeira.

   O que aconteceu foi que em determinado momento de nossas vidas enxergamos que aquele life style não fazia mais sentido para nós. Eu não queria pagar uma ótima escola para meu filho ir fazer faculdade nas universidades que a meu ver não proporcionavam mais uma educação que o faria desenvolvê-lo. Não queria mais passar por tentativas de assalto com os bandidos apontando a arma para meu carro, com toda a família dentro enquanto eu acelerava torcendo para ele não disparar. Não queria ter que pagar impostos altíssimos para não ter quase nenhum retorno em benfeitorias (afinal eu tinha que pagar plano de saúde, escola, carro, gasolina, seguros). Tudo isso sem contar que trabalhávamos demais, ficávamos pouco com os filhos e sempre tínhamos a sensação de que não alcançávamos um poder de compra satisfatório de acordo com o nosso esforço.

   Quando tivemos o contato com Perth lá do Brasil ainda, ficamos radiantes com a possibilidade de viver em um local onde teríamos um retorno maior de todos estes pontos, em um ambiente mais propício para viver (aos nossos olhos).

   E o engraçado é que ao chegarmos aqui e começarmos a vivenciar o dia a dia, ficamos muito satisfeitos com o que encontramos. Perth está longe de não possuir problemas, temos assaltos aqui, temos defasagens educacionais e econômicas, temos altos impostos. Mas aqui os assaltos são exceção e não a rotina, há muitos professores que amam o que fazem e ganham bem para fazê-lo, o governo tem cortado privilégios de citizens com o intuito de equilibrar as contas e manter um futuro financeiro mais saudável e temos altos impostos que são repassados em benfeitorias aos moradores.

   Eu era gerente financeiro no Brasil, hoje recomecei minha carreira descendo vários degraus. Mas eu não troquei um emprego por outro. EU TROQUEI UMA VIDA POR OUTRA! Passo muito mais tempo com meus filhos. O mais velho pode ir de bicicleta ou patinete (que foram adquiridos por valores baixos) à escola. Você consegue manter uma vida confortável (e a cervejinha na geladeira, rs) trabalhando em um 'sub-emprego' (??) que na verdade é mais um emprego tão importante quanto qualquer outro. Aliás, Perth fez cair meu pré-conceito sobre sub-empregos e você vê que a única constância aqui é a diferença.

   Enquanto no Brasil vejo uma briga sem fim sobre direitos igualitários para raças, sexos, religiões, etc, aqui eu estudo e trabalho com homens, mulheres, gays, negros, brancas, indianos, chineses, italianos, australianos, muçulmanos, cristãos, espíritas.... Na verdade enxergo que convivo com SERES HUMANOS, cada qual com sua cultura e seus costumes.

   Então sobre aquele post, o meu entendimento foi o de deixar uma vida pré-programada para trás e se aventurar no desconhecido trilhando seu próprio caminho e tirando suas próprias conclusões com o que vier pela frente.

   Eu quis compartilhá-lo, pois ele me deu forças de saber que para mim a escolha que eu fiz foi a correta. E por que considero-a correta? Porque ela me faz feliz até hoje.

   Independente de como era a sua vida no Brasil, o importante é como ela esta sendo vivida agora!

   É isso o que eu tinha para falar..
   
   Abraços!

domingo, 4 de setembro de 2016

$$$ TOPA TUDO POR DINHEIRO! $$$


QUEM QUER DINHEIROOOO???

   Afinal de contas por que você precisa de dinheiro? Já parou para se fazer esta pergunta? Somos condicionados a estudar para poder adquirir conhecimento, que nos levará à um estágio em alguma empresa, que nos dará a oportunidade de ser efetivado e iniciar uma carreira, que nos ajudará a ganhar mais dinheiro com o nosso trabalho e esforço diários... UFA!

   Mas afinal... para que?

   Temos alguns cenários possíveis de serem explorados tais como por exemplo ir trabalhar para ajudar as contas de casa que não fecham ou poder pagar os estudos, já que os pais infelizmente não vão conseguir bancar. Outro cenário é daquele garoto (a) que não precisa trabalhar, pois nasceu em uma família com uma condição um pouco melhor que conseguirá proporcionar um conforto maior para estudar, mas vai trabalhar para ganhar seu dinheiro e bancar suas "saídas".

   Passada esta fase inicial para qualquer um destes personagens entramos naquela rotina de 'Trabalho-Casa' e então nos encontramos em um momento financeiro na vida onde é possível comprar um celular melhor, sair com maior frequência, comprar roupas, viajar, enfim fazer o que bem entender.

   Para que tudo isso ocorra precisamos de dinheiro! Estas coisas não caem do céu, o modelo econômico ao qual vivemos no Brasil e que vivenciamos hoje aqui na Austrália funciona desta maneira onde você tem que trabalhar e ganhar seu dinheiro se quiser fazer/ gastar/ comprar coisas.

   Temos então que ir trabalhar para adquirir dinheiro que poderá ser trocado por bens de consumo que desejamos. Ilustrando temos o seguinte:


   Tem lógica este ciclo, correto? Dedicamos nosso tempo para fazer algo. Este algo será retribuído com dinheiro. E este dinheiro nos possibilitará comprar aquele celular que queríamos há tempos, fazer aquela viagem que sonhamos e adquirir aquela casa que namoramos por anos.

   Eis que de repente me pego fazendo uma nova suposição:

   Quanto mais eu trabalho, mais eu ganho. Quanto mais eu estudo, maior fica meu salário. Quanto mais eu me dedico, maior é meu rendimento.

   Então começo a focar em estudos (fazer faculdade, pós-graduação, mestrado, cursos de especialização, outra língua), a me dedicar mais ao trabalho (tentar fazer além daquilo que a minha função pede, entregar um algo a mais ao empregador) e a aumentar minha jornada de trabalho (afinal empregado bom é aquele que entra às 7:00 da manhã e sai depois das 8:00 da noite).

   E realmente nossos rendimentos aumentam. Nosso salário melhora e começamos a possuir  um maior poder aquisitivo.

   Este é o primeiro ponto que me chama a atenção, quer dizer, que o Paralamas do Sucesso nos chamou a atenção...


   "Eu acordo pra trabalhar,
    Eu vivo pra trabalhar,
    Eu morro pra trabalhar."


   Mas então qual a lógica? Só adquiro bens de consumo e faço viagens se eu trabalhar. Quanto mais eu trabalho, mais eu ganho. Mas se eu trabalhar mais eu não vou viver.

   Foi pensando neste ciclo todo que comecei a me questionar para que serve o dinheiro.

   O dinheiro foi criado em nossa sociedade para facilitar o acesso de todos aos diversos bens de consumo. Se eu produzo batatas só posso comer batatas ou trocar minhas batatas com o produtor de cenouras se ele quiser comer batatas. O dinheiro me ajudou a vender minhas batatas, guardar este dinheiro e trocá-lo por aquilo que eu quero comer.

   Se você parar para analisar com cuidado vai enxergar que o dinheiro, tanto neste exemplo das batatas quanto no exemplo lá de cima sobre os bens de consumo, é usado como MEIO para adquirir um FIM.





   O grande problema é quando nos perdemos no meio do caminho e não definimos qual é o fim que queremos com o dinheiro. É o momento que fazemos a roda girar dia a dia para adquirir mais e mais dinheiro, pois ele é o que nos proporcionará a adquirir aqueles maravilhosos bens de consumo. Quais bens? Não sei, depois eu vejo o que eu quero. A prioridade é ter o dinheiro.

   Neste momento nós distorcemos o real conceito ao qual ele foi criado. Nós tiramos o "romantismo" da ideia e a vulgarizamos. Nós literalmente colocamos o dinheiro como FIM e não como MEIO.



   Como fugir desta armadilha então? Defina os seus sonhos e objetivos. Muitas vezes você verá que eles não necessitam tanto esforço e trabalho para atingi-los. Ou se precisarem de muito esforço, você saberá que haverá um tempo determinado ao qual este esforço deverá ser realizado. Não ficaremos mais presos no girar de roda sem saber ao certo quando parar


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   Abraços!